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Publicado em 22/12/2015

Justiça afasta diretor dos Correios no Rio por suspeita de corrupção



O juiz Flávio Roberto de Souza, da 3ª Vara Federal Criminal do Rio, determinou o afastamento do diretor regional dos Correios no Estado, Omar de Assis Moreira, 49. A decisão aconteceu a partir de um pedido do procurador Sérgio Luiz Pinel Dias após denúncias de que Moreira receberia, mensalmente, propinas de R$ 6 mil por autorizar cirurgias superfaturadas -que não aconteciam- em servidores da estatal.

Omar Moreira foi indicado pelo deputado federal Edson Santos (PT-RJ) para o cargo, que ocupava desde 2011. Procurado na manhã desta terça-feira (18), Moreira não atendeu o celular. O mesmo aconteceu em seu telefone residencial. A reportagem apurou que o ex-diretor regional dos Correios no Rio ainda procura advogado para defendê-lo no caso.

Em nota, os Correios informaram que o afastamento ocorreu para "preservar a condução de processo da Justiça Federal" e que a investigação da Polícia Federal foi solicitada pelo próprio diretor, em 2013. A CGU (Controladoria Geral da União) faz parte de um grupo de trabalho que acompanha as investigações, de acordo com os Correios. O deputado Edson Santos não foi encontrado até o momento para comentar a indicação de Moreira.

Na sexta (14), quando foi comunicado por um delegado federal e dois agentes do afastamento, a primeira reação de Moreira, em seu gabinete no prédio central dos Correios, na região central do Rio foi lamentar: "a minha vida acabou", teria dito aos policiais.

As investigações que levaram ao afastamento de Moreira tiveram início há pouco mais de um ano e dão conta que, a partir de agosto de 2011, três hospitais passaram a ser beneficiados, recebendo pagamentos de maneira antecipada para procedimentos cirúrgicos de servidores dos Correios.

Esses servidores eram submetidos a cirurgias com a utilização de órteses, próteses e materiais especiais. Em alguns casos, os procedimentos não aconteciam ou eram superfaturados. A cobrança dos hospitais tomava por base os preços mais altos estipulados pelo plano de saúde dos Correios.

A partir de janeiro de 2013, um quarto hospital foi inserido na "lista" criada pela direção dos Correios, no Rio. Assim, a lista de beneficiados prioritários passou a quatro unidades particulares.

Nos primeiros dois meses do esquema, de acordo com as investigações, Omar Moreira teria recebido R$ 15 mil por mês. A partir de novembro de 2011 foi fixado o valor de R$ 6 mil mensais.